domingo, 12 de junho de 2011

Das Mortes de Jobim, Tolstói e Pessoa

F.C.S.
Na minha aldeia passa um rio. 
Um rio corta minha aldeia. 
Sonda a minha aldeia um rio. 
Seu curso leva o tempo 
E deixa vazia a minha aldeia.


Abandonadas canoas à beira,
Abandonados homens e mulheres da minha aldeia.
Despovoada e à espreita
Lasar Segall , Aldeia Russa
Resiste a minha aldeia,
à espera da próxima travessia.


E eu sou o que fica, 
Fica sempre,
Até a morte fica.


Na minha aldeia passa um rio,
Abandonadas canoas à beira.
E eu sou o que fica.


Um rio corta a minha aldeia.
Abandonados, homens e mulheres da minha aldeia
Ficam sempre.


Sonda a minha aldeia um rio.
Despovoada e à espreita
Até a morte fica.                                  


O curso do rio
é o curso do tempo
que deixa vazia
a minha aldeia.



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